domingo, 27 de novembro de 2011

Natal: um texto cem por cento !


                                                               
Olavo de Carvalho em uma de suas exposições lembra que a vida e a história de cada um é como se fosse redigida a quatro mãos, dupla escrita em que Deus escreve sempre  o projeto por Ele pensado, reservando ao homem tarefa semelhante de escritura através de suas escolhas e opções garantidas pelo livre arbítrio. Plenitude e felicidade seriam o encontro cruzado destas duas escrevinhações: uma, natural e gratuitamente descendente, e a outra, esforçadamente ascendente.
Nesta chave simbólica, Schelling também pode ser evocado (em citação do professor Carvalho) quando diz que, se possível fosse ao homem escrever sua biografia a mais completa possível, ali igualmente estaria inscrita a própria história do universo. O que parece fazer eco das palavras do Mestre: “o que ligares na terra será ligado no céu e o que desligares na terra será desligado no céu”.    
O poeta Bruno Tolentino, já falecido, em uma de suas últimas estadas em Salvador, quando brindou alguns felizardos com uma semana de palestras sobre literatura brasileira, foi no ponto quando falou do trespasse absoluto que a figura da cruz sugere como transcendência no encontro entre os dois eixos – o vertical, aqui correlacionado à escrita divina descendente, e o horizontal, correspondentemente tomado como o da escritura ascendente humana.
Descendo, então, aos abismos das experiências de linguagem, que se afiguram cada vez mais como macaqueações e caricaturas do logos divino, não há como ignorar as palavras (par lavras.) de Marx na crítica demolidora que lhe fez Eugen vom Böhm-Bawerk.
Para este desmistificador do encanto marxista, a habilidade e a sagacidade intelectuais do autor de O Capital conseguem ocultar aos desatentos o truque contido, por exemplo, em um dos seus axiomas materialistas: o fato de que no conjunto das relações de troca de mercadorias não é só a quantidade de horas do trabalho (do trabalhador “explorado”) que se constitui como fator determinante.
O investimento do capital (e todas as suas expectativas de retorno lucrativo) também se constitui como um fator determinante nesta dialética materialista. Se isto foi habilmente escamoteado nos primeiros livros da grande obra de Marx, este gênio da prestidigitação foi obrigado a reconhecê-lo, a contragosto, no restante de seus escritos.
Então, até nos infernos da linguagem humana a chave simbólica da cruz continua como um convite permanente: Marx segurou até onde pôde uma escritura demasiadamente humana que reivindicava exclusividade para o trabalho (quantidade de horas gastas na produção de mercadorias), forçando uma fala que o tomava (o trabalho) como o único fator determinante nas relações de troca de mercadorias. Nos limites de uma tarefa impossível, foi obrigado a reconhecer a realidade, enfim, da convivência simultânea com uma outra escritura, talvez simbolicamente descendente, que faz do investimento do capital (e de suas expectativas de retorno) também um fator a ser levado em conta naquelas relações econômicas originárias.
É evidente o paralelismo sugerido: ao discurso do homem, velho esforço humano de falar, de usar da palavra (par lavrar), se contraporia a categoria marxiana de trabalho. Em contracorrente, e completando a espacialidade discursiva, a outra correspondência colocaria em projeção descendente o logos divino e o investimento do capital, igualmente “gratuito”, ainda que ávido do retorno esperado. 
Assim, no mercado da linguagem, o esforço humano (trabalho) de produção de significados não é o único fator determinante daquele conjunto de relações de trocas simbólicas. É da fala divina e das escritas do Pai que se recebe gratuitamente as doações de sentido, perpétuo investimento do logos divino.
Ora, o paralelo prossegue, do mercado à mesa, podendo chegar, quem sabe, às figuras concebidas em Platão. O convite ao banquete permanece sempre: todos falam à vontade, opinam e se regalam no vinho. Marx provavelmente estaria no simpósio platônico, seu discurso do trabalho como único fator determinante nas relações de troca de mercadorias é facilmente intercambiável com as falas dos que antecederam Sócrates.
Ali e aqui todos os convivas falaram e falam as linguagens do esforço (trabalho) humano que sempre resvalam para a tentação do exclusivismo ingênuo. Todos os falantes sem o saber carregam apenas uma das hastes do madeiro do Gólgota. No entanto, ao final, com a fixação da segunda peça de madeira, resta a fala mais esperada de Sócrates, prefiguração espetacular do logos vertical, originalmente descendente ainda que transcendente.
(Quanto à Freud, como Marx, igualmente um “(pa)lavrador” de textos e um “comerciante” de significados, não admira que sua ontologia do inconsciente seja todo um trabalho, uma “lavra”, no intuito de silenciar a Palavra e apagar a escrita do Pai, reduzindo-a à voz rouca e vingativa de um fantasma, como o do pai de Hamlet tão bem profetizado por Shakespeare).
Portanto, a fala completa, o texto integral, “o texto cem por cento”, nasce do encontro, adiado ou não, entre os dois vetores absolutos de toda ontologia discursiva, o que é generosamente espelhado na figura da cruz.
E é então no evangelho que se pode buscar os caminhos para um texto completo, escrito a quatro mãos, numa parceria entre o logos divino e a iluminação humana:

No princípio era o verbo e o verbo era Deus...
Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito...
E o verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1-15)

Muitos tentaram compor uma narração dos fatos tais com nos foram transmitidos por aquelas testemunhas oculares...
A mim pareceu também conveniente, depois de investigação acurada...
Escrever de modo ordenado, a fim de que penetres na solidez dos ensinamentos que te foram ensinados (Lc 1,1-4)

Miguel Brito



sábado, 19 de novembro de 2011

Noite de uma consciência desbotada





NOITE DE UMA CONSCIÊNCIA DESBOTADA

Não há defesa moral para o preconceito gratuito a quem quer que seja. Ou seria melhor escrever “má vontade” e “pré-julgamento”? O fato que é que o Dia da Consciência Negra deve servir de mote para uma conscientização mais ampla acerca da questão do “pré-conceito”.
Reduzido à sua dimensão histórico-racial, tomando o caso específico dos negros africanos no Brasil e nos outros países das Américas, há um esforço legítimo de resgate da justiça e da memória. A escravidão sempre foi uma mácula na história da humanidade desde tempos imemoriais e traz em seu bojo uma série de questões que extrapolam o muito do que se diz e se publica sobre a questão.
O problema é quando o esforço de conscientização e de busca honesta da verdade histórica se esbarra numa acomodação ou redução forçada que pode levar à meia luz de uma consciência desbotada.
Muitos falantes se esquecem, por exemplo, que já no século VIII foram os mulçumanos que revigoraram com toda força o tráfico de escravos no mediterrâneo e adjacências. Entre os escravizados, pesquisadores sérios identificam também a presença de brancos, como eslavos, por exemplo. Aplicando a estranha lógica da hereditariedade reinante nos círculos corretos, então os mulçumanos de hoje seriam herdeiros diretos daqueles “escravocratas” apagados da história (oito séculos antes dos portugueses!). Interessante é ver líderes carismáticos e populares da América Latina ao lado de eminentes colegas mulçumanos, declarando inclusive amizade e admiração.
Da mesma forma, parece inconveniente lembrar que no Quilombo de Palmares não era só Zumbi (há quem diga, também mulçumano) que dispunha de escravos a seu serviço. Ali todos eram “escravocratas” sem nenhum constrangimento moral, até porque na África a escravidão era considerada “natural” e “necessária” (segundo uma enviesada análise marxista da história).
Além disto, só com o advento do Cristianismo (esta religião defendida pela Igreja Católica, tão odiada pela intelligentsia ocidental) é que se pode entrar na análise moral destes e de outros nós da história dos povos. Foi o cristianismo que afinal acabou com o escravismo no império romano já decadente, da mesma forma que faltou à Igreja uma posição firme de combate à escravidão colonial moderna, cujo tráfico foi reinventado pelos mulçumanos no mediterrâneo e aproveitada pelos portugueses no Atlântico.
Afinal, se a verdade histórica extrapola as conveniências ideológicas de historiadores de ontem ou de hoje, por que temer a verdade por inteiro? Quem assim o faz, ao se contentar com a verdade pela metade ou com um quarto dela, escraviza a si e aos outros.
 De fato a escravidão a rigor ainda existe. A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil e está dando o maior trabalho ao pessoal do governo que tenta combater o dumping – o sucesso daquele país se deve em grande medida ao trabalho “escravo” praticado de forma massiva (alguém duvida?). Os bolsões “radicais, mas sinceros” do Partido têm orgasmos quando vêm o Brasil tão bem alinhado com os chineses. Afinal, negócios com os camaradas dispensam que se entre em análises morais, ou que se tire conclusões apressadas.
Alguém já viu algum “anti-escravocrata” questionando a amizade entre chineses e empresários brasileiros ávidos de lucros, pouco se lixando para as condições miseráveis dos trabalhadores da segunda maior economia do mundo?
Da mesma forma, alguém se importa com a matança de cristãos em países da Ásia e de maioria mulçumana? Os jornais nem publicam nada sobre este preconceito religioso em pleno século XXI.
A matança generalizada em Ruanda, em 1994 (é isto mesmo, 1994!), em que negros  mataram a si mesmos – pelo menos 800 mil tutsis (minoria) foram mortos em poucos meses do genocídio levado adiante pelos hutus (maioria) – é facilmente creditada ao imperialismo e as maldades do capitalismo (o que condiz com a verdade). No entanto, a verdade completa não se esgota com o materialismo histórico. E um genocídio nunca pode ser suficientemente explicado apenas por razões econômicas. Há espaço, sem dúvida, numa análise honesta dos fatos, para o papel e a força, por exemplo, dos preconceitos e intolerância que muitas vezes extrapolam as questões de classe, raça ou sexo.
Ou então, ainda, alguém se incomoda com os pequenos e difusos preconceitos que ocorrem a toda hora, à vista de todos, presentes, por exemplo, em situações as mais pueris, quem sabe envolvendo um colega com um problema crônico de saúde, afastado do trabalho a quem se diz ”mas você está tão bem, nem parece que está doente...”?
Que o Dia da Consciência Negra seja pleno de luz e verdade, que não acabe na noite triste de uma consciência desbotada pela penumbra da acomodação conveniente com as meias verdades tão facilmente vendidas. 

obs: este texto acaba levando, propositalmente, a uma confusão e a uma mixórdia conceitual problemática - "preconceito", "má-vontade", "intolerância", "escravidão", "trabalho e exploração econômica", "globalismo e hegemonia", "relações internacionais e retóricas culturais", "relativismo cultural"... tudo num mix que só perpertuam as dominações discursivas. Precisa ser refeito.
Da mesma forma, carece de ampliação e de maior nitidez nossa consciência, negra ou desbotada.
Miguel Brito


Desce daí, Zaqueu, desce depressa!


DESCE DAÍ ZAQUEU, DESCE DEPRESSA !

No Evangelho se encontram algumas passagens interessantes envolvendo os “publicanos” ou coletores de impostos (espécie de auditores fiscais da época).
Certa feita, passando, Jesus avistou Mateus sentado na coletoria e o chamou, “Segue-me”, ao que foi correspondido pelo publicano. Em outro momento, indagado sobre a questão do dever de pagar ou não impostos ao império romano, Cristo provocou, tomando uma moedinha: “De quem é esta imagem e inscrição?”. Responderam-lhe que era de César, do que concluiu o mestre: “Então, daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”.
Já em outra passagem, pergunta semelhante pretendia colocar o nazareno na parede: afinal, ele como mestre de Israel pagava ou não tributo a Roma? Pedro, seu discípulo, de pronto respondeu que sim. Levando a questão a Jesus, a providência foi imediata. O discípulo fiel foi ao mar e trouxe-lhe um peixe de cuja boca Jesus tirou uma moedinha (simples moedinha), suficiente para quitar a obrigação tributária de ambos.
Resta ainda uma outra passagem, inusitada como as demais, mas que particularmente merece ser lembrada nestes dias marcados por reviravoltas na conjuntura internacional.
A cena era mais ou menos assim: passando Jesus por Jericó, cercado pela multidão, Zaqueu, chefe dos publicanos, homem rico e de “baixa estatura”, querendo ver o mestre sem consegui-lo por causa do alvoroço, corre à frente da comitiva e sobe numa árvore com o intuito de vê-lo passar. Sua surpresa não foi maior que a gratidão: simplesmente Cristo, olhando para cima, chamou-o, “Zaqueu, desce depressa, porque hoje devo me hospedar em sua casa”. 
Claro que Zaqueu desceu depressa e hospedou Jesus com alegria. Depois lhe confidenciou suas intenções de dá aos pobres a metade dos seus bens (boa idéia: distribuir metade da arrecadação tributária com os pobres e não repassá-la aos rentistas e banqueiros) e de restituir o quádruplo àqueles a quem tivesse prejudicado.
"O que é que cabe a César e o que é que cabe a Deus” nestes dias em que se avizinha, parece, uma grave crise mundial sem precedentes?
Com a Grécia quebrada, agora é a vez da Itália (a velha Roma na lona). O Brasil, eleito como paraíso temporário dos fluxos de capitais transnacionais, vai continuar remunerando muito bem aos donos do capital até quando? Qual o limite para o repasse violento de boa parte do que é arrecadado para o financiamento (refinanciamento, aumento,...) da dívida pública?
Zaqueu se comprometeu com a distribuição de metade de suas posses com os pobres. O governo socialista do PT (preparado pelo governo “social-democrata” do PSDB) vai dividir de fato o bolo com os pobres? Quando?
O publicano correspondeu ao apelo de Cristo. A recompensa não poderia ser maior: “Hoje, a salvação entrou nesta casa”, disse-lhe Jesus. Quem sabe, talvez com bom senso e  vontade política de discutir as questões com seriedade (sem as peias ideológicas que geralmente travam o debate), se possa dizer o mesmo “o diálogo e o compromisso com a verdade entraram neste país”.

Miguel Brito


domingo, 13 de novembro de 2011

Nudez crucificada



Harold Bloom lembra em o “Livro de J” que nunca saímos da cena do paraíso, ainda estamos lá. Northrop Frye sugere, em “O Código dos Códigos”, que o texto bíblico é a fonte ontológica de todas as narrativas e discursos possíveis, está tudo ali, como que em arquivos compactados, prontos a serem desdobrados.

Com eles, e dizendo mais, parece que estamos sim imersos inteiros no evangelho, revivendo, consciente ou inconscientemente cada passagem ali narrada. Todas as nossas falas e saberes são como vestes provisórias, que na cena final nos serão tiradas e repartidas num lance de dados entre os soldados (face visível do poder) romanos (expressão da cultura dominante). No calvário seremos crucificados nus, como e com Ele.

Aqueles trapos que protegiam nossa nudez, nossos constructos teoréticos, ideológicos, culturais e até religiosos, terão cumprido seu papel e encaminhados à lata de lixo mais próxima.

No limite, a liberdade é garantida para se escolher de que lado se há de ser crucificado. Os gritos desesperados e provocativos de quem na cena evangélica se encontrava à esquerda d’Ele ecoam até hoje no terrível “salva-te a ti mesmo e a nós”. Ele nunca responde nos termos da provocação. Quando o faz, é Ele quem dá o tom.

“Corajosos”, como Nietzsche, apostam até o fim no confronto aberto com o Crucificado. O custo da empreitada não se mede por nenhuma métrica conhecida. “Covardes”, como Shakespeare, aceitam livremente o sentido do Texto e o espelham na linguagem simbólica de sua arte, porque sabem que a narrativa não acaba com a morte anunciada.

Como sempre, a velha metafísica, expulsa pela entrada principal, volta travestida pela porta dos fundos. Shakespeare eternizou a recorrente volta a ódios antigos quando fez Shylock falar, se referindo a Antônio, na peça O Mercador de Veneza: “Eu o odeio porque é cristão”.

Lá no fundo, o Texto ainda clama: “Cala-te e sai dele. Então o espírito impuro, sacudindo-o violentamente e soltando um grande grito, deixou-o” (Evangelho de Marcos, cap 1, 25-26).



Miguel

O ENEM é a própria corrupção

O ENEM É A PRÓPRIA CORRUPÇÃO

“... a geração de uma coisa é sempre corrupção de outra, assim como a corrupção de uma é geração de outra.”
Aristóteles


Mais um escândalo envolvendo o ENEM. Mas o ENEM já é o próprio escândalo: no sentido mais aristotélico do termo, é a corrupção institucionalizada da educação no país.
Qual o sentido de uma universalização geral para o acesso ao 3º grau dos estudantes em um país continental como o Brasil?
A resposta é simples: concentração de poder - massificação e controle cultural e ideológico.
Enquanto isto, a LDM (última das “boas” livrarias locais) fecha as portas, depois da Civilização Brasileira, da Livraria da Pirâmide (Rio Vermelho), da Grandes Autores... No Comércio, paraíso das faculdades de esquina, não se encontra uma livraria sequer. Uma biblioteca que seja. Até banca de revista é coisa escassa.
Deixa para lá. Salvador tem uma das frotas de carros particulares e de táxi mais novas do mercado brasileiro. A marina da Contorno não tem mais onde colocar escunas e iates de última geração.
E o ENEM com tudo isto?
Se você começar a entender a dialética contemporânea que faz coexistir a infraestrutura capitalista (consumismo, individualismo...) com a superestrutura do tipo socialista (marxismo cultural e o discurso politicamente correto) a pergunta se responde a si mesma.
Confira o artigo abaixo. Depois assista ao vídeo no youtube:
www.mensagensdemaria.org/VerMultimidiaRevolucao.php?codigo...

Miguel
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A KGB e a Subversão Comunista no Mundo

Do marxismo cultural
Olavo de Carvalho - O Globo, 8 de junho de 2002

Segundo o marxismo clássico, os proletários eram inimigos naturais do capitalismo. Lênin acrescentou a isso a idéia de que o imperialismo era fruto da luta capitalista para a conquista de novos mercados. Conclusão inevitável: os proletários eram também inimigos do imperialismo e se recusariam a servi-lo num conflito imperialista generalizado. Mais apegados a seus interesses de classe que aos de seus patrões imperialistas, fugiriam ao recrutamento ou usariam de suas armas para derrubar o capitalismo em vez de lutar contra seus companheiros proletários das nações vizinhas.
Em 1914, esse silogismo parecia a todos os intelectuais marxistas coisa líquida e certa. Qual não foi sua surpresa, portanto, quando o proletariado aderiu à pregação patriótica, alistando-se em massa e lutando bravamente nos campos de batalha pelos “interesses imperialistas”!
O estupor geral encontrou um breve alívio no sucesso bolchevique de 1917, mas logo em seguida veio a se agravar em pânico e depressão quando, em vez de se expandir para os países capitalistas desenvolvidos, como o previam os manuais, a revolução foi sufocada pela hostilidade geral do proletariado.
Diante de fatos de tal magnitude, um cérebro normal pensaria, desde logo, em corrigir a teoria. Talvez os interesses do proletariado não fossem tão antagônicos aos dos capitalistas quanto Marx e Lênin diziam.
Mas um cérebro marxista nunca é normal. O filósofo húngaro Gyorgy Lukacs, por exemplo, achava a coisa mais natural do mundo repartir sua mulher com algum interessado. Pensando com essa cabeça, chegou à conclusão de que quem estava errado não era a teoria: eram os proletários. Esses idiotas não sabiam enxergar seus “interesses reais” e serviam alegremente a seus inimigos. Estavam doidos. Normal era Gyorgy Lukács. Cabia a este, portanto, a alta missão de descobrir quem havia produzido a insanidade proletária. Hábil detetive, logo descobriu o culpado: era a cultura ocidental. A mistura de profetismo judaico-cristão, direito romano e filosofia grega era uma poção infernal fabricada pelos burgueses para iludir os proletários. Levado ao desespero por tão angustiante descoberta, o filósofo exclamou: “Quem nos salvará da cultura ocidental?”
A resposta não demorou a surgir. Felix Weil, outra cabeça notável, achava muito lógico usar o dinheiro que seu pai acumulara no comércio de cereais como um instrumento para destruir, junto com sua própria fortuna doméstica, a de todos os demais burgueses. Com esse dinheiro ele fundou o que veio a se chamar “Escola de Frankfurt”: um “think tank” marxista que, abandonando as ilusões de um levante universal dos proletários, passou a dedicar-se ao único empreendimento viável que restava: destruir a cultura ocidental. Na Itália, o fundador do Partido Comunista, Antônio Gramsci, fôra levado a conclusão semelhante ao ver o operiado trair o internacionalismo revolucionário, aderindo em massa à variante ultranacionalista de socialismo inventada pelo renegado Benito Mussolini. Na verdade os próprios soviéticos já não acreditavam mais em proletariado: Stálin recomendava que os partidos comunistas ocidentais recrutassem, antes de tudo, milionários, intelectuais e celebridades do “show business”. Desmentido pelos fatos, o marxismo iria à forra por meio da auto-inversão: em vez de transformar a condição social para mudar as mentalidades, iria mudar as mentalidades para transformar a condição social. Foi a primeira teoria do mundo que professou demonstrar sua veracidade pela prova do contrário do que dizia.
Os instrumentos para isso foram logo aparecendo. Gramsci descobriu a “revolução cultural”, que reformaria o “senso comum” da humanidade, levando-a a enxergar no martírio dos santos católicos uma sórdida manobra publicitária capitalista, e faria dos intelectuais, em vez dos proletários, a classe revolucionária eleita. Já os homens de Frankfurt, especialmente Horkheimer, Adorno e Marcuse, tiveram a idéia de misturar Freud e Marx, concluindo que a cultura ocidental era uma doença, que todo mundo educado nela sofria de “personalidade autoritária”, que a população ocidental deveria ser reduzida à condição de paciente de hospício e submetida a uma “psicoterapia coletiva”.
Estava portanto inaugurada, depois do marxismo clássico, do marxismo soviético e do marxismo revisionista de Eduard Bernstein (o primeiro tucano), a quarta modalidade de marxismo: o marxismo cultural. Como não falava em revolução proletária nem pregava abertamente nenhuma truculência, a nova escola foi bem aceita nos meios encarregados de defender a cultura ocidental que ela professava destruir.
Expulsos da Alemanha pela concorrência desleal do nazismo, os frankfurtianos encontraram nos EUA a atmosfera de liberdade ideal para a destruição da sociedade que os acolhera. Empenharam-se então em demonstrar que a democracia para a qual fugiram era igualzinha ao fascismo que os pusera em fuga. Denominaram sua filosofia de “teoria crítica” porque se abstinha de propor qualquer remédio para os males do mundo e buscava apenas destruir: destruir a cultura, destruir a confiança entre as pessoas e os grupos, destruir a fé religiosa, destruir a linguagem, destruir a capacidade lógica, espalhar por toda parte uma atmosfera de suspeita, confusão e ódio. Uma vez atingido esse objetivo, alegavam que a suspeita, a confusão e o ódio eram a prova da maldade do capitalismo.
Da França, a escola recebeu a ajuda inestimável do método “desconstrucionista”, um charlatanismo acadêmico que permite impugnar todos os produtos da inteligência humana como truques maldosos com que os machos brancos oprimem mulheres, negros, gays e tutti quanti, incluindo animais domésticos e plantas.
A contribuição local americana foi a invenção da ditadura lingüística do “politicamente correto”.
Em poucas décadas, o marxismo cultural tornou-se a influência predominante nas universidades, na mídia, no show business e nos meios editoriais do Ocidente. Seus dogmas macabros, vindo sem o rótulo de “marxismo”, são imbecilmente aceitos como valores culturais supra-ideológicos pelas classes empresariais e eclesiásticas cuja destruição é o seu único e incontornável objetivo. Dificilmente se encontrará hoje um romance, um filme, uma peça de teatro, um livro didático onde as crenças do marxismo cultural, no mais das vezes não reconhecidas como tais, não estejam presentes com toda a virulência do seu conteúdo calunioso e perverso.
Tão vasta foi a propagação dessa influência, que por toda parte a idéia antiga de tolerância já se converteu na “tolerância libertadora” proposta por Marcuse: “Toda a tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita”. Aí aqueles que vetam e boicotam a difusão de idéias que os desagradam não sentem estar praticando censura: acham-se primores de tolerância democrática.
Por meio do marxismo cultural, toda a cultura transformou-se numa máquina de guerra contra si mesma, não sobrando espaço para mais nada.

Zé quer voltar ou a volta dos que não foram

ZÉ QUER VOLTAR. (OU A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM)





Folheei rapidamente o livro de José Dirceu, “Tempos de planície” (já disponível na Saraiva, R$ 44,00) e me deparei com um dos seus artigos publicados que logo me chamou à atenção. Discorrendo sobre o que considerava obscurantismo dos tucanos (“questões religiosas e aborto”), indaga o homem da inteligência do PT se seria possível pensar um novo PSDB, como que admitindo que no fundo aqueles dois partidos teriam a mesma substância ideológica.



OBS: uma tabelinha para os que acreditam na oposição maniqueísta FHC- Lula:





Correio Braziliense 27/10/2011

Opinião
Valor Econômico 26/10/2011

Política

Tributar os ricos

Ari Cunha



Fernando Henrique, quando presidente da República, foi quem primeiro desejou tributar os ricos. Apresentava a razão: "Como forma de demonstrar solidariedade aos não ricos". O projeto foi aprovado no Senado e nunca mais se falou no assunto. Recebeu emendas na Câmara e estava pronto para a pauta. Fernando Henrique Cardoso teve dificuldades para levar o assunto adiante. A oposição à Constituição era forte, e a Receita Federal não manifestou simpatia. Como em tudo há fugas, apareceu a pontinha da corrupção e o assunto mais forte dava contra de que ricos tinham a oportunidade de registrar o patrimônio em nome de empresas sediadas no exterior.


Lavagem de dinheiro terá punição mais dura

Por Caio Junqueira | De Brasília


A Câmara dos Deputados aprovou ontem o projeto de lei que endurece a legislação contra a lavagem de dinheiro no país. O documento amplia o rol de empresas e pessoas físicas que deverão informar aos órgãos de fiscalização e reguladores um cadastro e informações periódicas sobre seus clientes, bem como qualquer movimentação financeira suspeita ou superior a R$ 100 mil em espécie.

....Já a oposição atuou para que fosse incluída uma medida que incluía como crime de lavagem de dinheiro o financiamento do terrorismo. O governo avaliou que a redação, da forma como estava, era muito ampla e não apoiou a ideia.

...O projeto tramita desde 2003 no Congresso nacional, mas nunca houve empenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em apoiá-lo.




Miguel Brito



Obs: confira a notinha da Veja de 09/11/2011

Eles são só elogios

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou ao Palácio da Alvorada pela primeira vez há duas semanas, para participar de um jantar com um grupo de líderes internacionais do qual faz parte, The Elders. Saiu de lá ainda mais encantado com a anfitriã, a presidente Dilma Rousseff. Em menos de um ano de mandato, ela já refez todas as pontes com FHC que haviam sido queimadas nos oito anos de seu antecessor. "Fiquei muito impressionado com a desenvoltura e profundidade com que ela discute qualquer assunto. Além disso, a presidente é muito acolhedora", afirmou FHC em uma roda de ami­gos. A admiração é recíproca. Dilma não entende por que o PSDB escondeu o legado do ex-presidente nas campanhas eleitorais. E pre­tende convidá-lo ainda neste ano para um jantar no Alvorada, em que será discutida a crise económica internacional.

Não podes comprar minha vida

“NÃO PODES COMPRAR MINHA VIDA”

O belíssimo vídeo “Latinamérica”, disponível no youtube, traz o mote do “não podes comprar” minha vida, minha felicidade, meu amor... meus direitos de pessoa humana, alternado à sua variante do “não se pode comprar o sol...o calor....a vida...”
Como peça política é eficaz na modalidade do “não se pode comprar...”, sobretudo quando se tem em mente a dominação mundial do capitalismo sem fronteiras e do mercado financeiro global que de tudo pretende fazer lucros e ganhos incessantes.
Se a América Latina é sempre vista como vítima histórica do ocidente imperialista, a mensagem esteticamente maravilhosa é óbvia em seu conteúdo de resistência política.
No entanto, a pedra de toque é o brado “não podes (tu) comprar minha vida”. O alcance deste “tu” hipostasiado é que confere os limites de uma mensagem que se pretende em favor da vida.
Até onde pode chegar este “tu” a quem se coloca o embargo “não pode comprar minha vida”?
Já foi dito que este “tu” se dirige obviamente aos poderes que submetem a América Latina a um estado de dependência permanente. A encarnação deste “tu” chegaria, em última instância, ao “Tu” de Martin Buber em sua fascinante dialética do “Eu e Tu ”? Este brado de revolta chegaria ao limite metafísico de um desabafo a Deus, ao deus dos cristãos, ao deus daqueles que colonizaram a América?
Levado ao extremo, o brado dirigido ao doador da vida chegaria ao seu paradoxo absoluto: “não podes comprar minha vida” acabaria sendo encetado àquele que, segundo o evangelho do ocidente cristão, resgatou o homem da morte com a morte de seu filho na cruz.
Repetindo: no limite, o brado contra Deus, cuja crença dos que o professam aparece considerada, em última instância, como a justificativa para tanta violência e dominação, num desabafo em favor da vida, do direito à vida, estaria confrontando o próprio doador da vida, não só o “doador”, mas aquele que num segundo momento da ontologia originária do homem o resgatou da morte do pecado com o sacrifício de Cristo.
Então, o Deus dos cristãos não é só o doador da vida (vida que “tu não podes comprar”) – primeiro momento. Ele é também aquele que resgatou o homem da morte do pecado pagando com a vida de seu próprio filho (vida “que não se pode comprar”) – segundo momento.
O fantástico ainda é que estes dois momentos originários do “ser humano” se reproduzem, se desdobram a cada momento entre nós: o primeiro momento se repete a cada concepção no útero materno (“não podes comprar minha vida”). O segundo, igualmente, se renova em cada nascimento (“não se pode comprar uma vida”).
Se você gostou realmente do belíssimo “Latinamérica” e é capaz de dizer “não podes comprar minha vida” e “não se pode comprar a vida”, veja abaixo a mensagem sobre o que já está correndo na América Latina: SUPREMA CORTE DO MEXICO ESTÁ LEGALIZANDO O ABORTO DURANTE OS NOVE MESES DA GRAVIDEZ”
Leia a mensagem e diga aos poderes que querem escravizar ainda mais a Latinamérica: “não podes comprar a vida de nossos filhos”.
Até onde pode chegar nosso brado em favor da vida? Até o limite em que a ideologia escraviza nossa consciência?
Miguel Brito


Urgentíssimo: Supremo do México está legalizando o aborto

Segunda feira, 26 de setembro de 2011
A TODOS OS QUE COMPREENDEM O VALOR DA VIDA HUMANA:
Estou-lhe escrevendo esta mensagem porque seu e-mail foi-me passado como sendo de alguém interessado na defesa da dignidade da vida humana. Caso seu endereço me tenha sido passado por engano, por favor, envie-me uma mensagem ao seguinte endereço e não tornarei mais a escrever-lhe:
albertomonteiro@mailandweb.com.br
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NOVE MESES DA SUPREMA CORTE DO MEXICO ESTÁ LEGALIZANDO O ABORTO DURANTE OS GRAVIDEZ
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NECESSITAMOS URGENTEMENTE DE SUA AJUDA PARA A DEFESA DA VIDA.
A SUPREMA CORTE DE JUSTIÇA DO MÉXICO, ESTÁ DECLARANDO NULA A CONSTITUIÇÃO DE 18 ESTADOS MEXICANOS QUE ESTABELECERAM O DIREITO À VIDA DESDE A CONCEPÇÃO.
OS MINISTROS DA CORTE ESTÃO SENTENCIANDO QUE NÃO EXISTE DIREITO À VIDA ANTES DO NASCIMENTO, E QUE, MESMO SE EXISTISSE, NÃO SERIA ABSOLUTO E O DIREITO À VIDA DA CRIANÇA POR NASCER, EM QUALQUER IDADE GESTACIONAL, NÃO PODE VIOLAR A DIGNIDADE E OS DIREITOS REPRODUTIVOS DAS MULHERES.
COM ISTO OS JUÍZES ESTÃO RECONHECENDO, CONTRA A POSIÇÃO DA MAIORIA DA POPULAÇÃO E DOS PRÓPRIOS LEGISLADORES MEXICANOS, O DIREITO AO ABORTO DESDE A CONCEPÇÃO ATÉ OS NOVE MESES DA GRAVIDEZ, QUE É ATUALMENTE A PROPOSTA PROMOVIDA PELA ONU PARA O DIREITO INTERNACIONAL.
Devido à urgência da questão, não posso, ao contrário de outras mensagens, entrar em todos os detalhes do que está ocorrendo.
NECESSITAMOS DE SUA AJUDA.
ENVIE ESTA MENSAGEM A TODOS OS SEUS CONTATOS E ENVIE UM FAX À SUPREMA CORTE DO MÉXICO, MANIFESTANDO SUA POSIÇÃO A FAVOR DA VIDA.
A URGÊNCIA DO TEMA EXIGE QUE ENVIEMOS IMEDIATAMENTE UM FAX , EM VEZ DE APENAS UM E-MAIL.
1. Devido à gravidade da situação, pedimos que cada um escreva alguma mensagem com suas próprias palavras em vez de mandar uma mensagem previamente padronizada.
2. Quem participar de alguma igreja ou religião, não se manifeste como religioso, mas como cidadão ou profissional.
3. Aos magistrados da corte constitucional deve-se o maior respeito em qualquer circunstância. Telefonando ou escrevendo seja sempre educado ao extremo mas não deixe de manifestar claramente o seu ponto de vista.
4. É MUITO IMPORTANTE ALÉM DE ESCREVER E-MAILS, QUE PODEM SER FACILMENTE APAGADOS POR QUALQUER FUNCIONÁRIO COM UM CLIQUE DE MOUSE, QUE SE TELEFONE DE VIVA VOZ OU SE MANDE UM FAX.
5. Tenham certeza que sua participação é decisiva e indispensável para evitar um holocausto de proporções continentais, e que o bem que estão ajudando a promover está além de toda gratidão possível.
6. QUEM NÃO SOUBER ESCREVER EM ESPANHOL, PODERÁ FAZÊ-LO EM PORTUGUES, UMA VEZ QUE AMBAS AS LINGUAS SÃO MUITO SEMELHANTES.
7. OS NÚMEROS DOS TELEFONES, FAX E ENDEREÇOS DE E-MAILS ESTÃO NO FINAL DA MENSAGEM.
Agradeço profundamente o grandíssimo bem que todos estão ajudando a promover. A humanidade toda lhes deve muito pela divulgação destas informações.
Procurarei manter informado os que receberem este comunicado sobre o desenrolar dos acontecimentos.
Alberto R. S. Monteiro
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RESUMO DOS FATOS
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O México é constituído por 31 estados um Distrito Federal.
Cada estado possui seu próprio código penal.
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1. EM 2007 O DISTRITO FEDERAL LEGALIZOU O ABORTO
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Em 2007 o Distrito Federal legalizou o aborto até os três meses de gravidez, apesar de que no México a maioria do povo é contrária ao aborto.
Em menos de um mês, diversos grupos a favor da vida entraram com duas ações na Suprema Corte de Justiça, pedindo que o tribunal declarasse a inconstitucionalidade da lei (Ação de Inconstitucionalidade 146/2007 e 147/2007). A Suprema Corte deu ampla divulgação ao tema e criou um site, existente até hoje, para que todo o México acompanhasse o caso:
http://www.informa.scjn.gob.mx/inicio.html.
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2. EM 2008 A SUPREMA CORTE JULGOU CONSTITUCIONAL A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO DISTRITO FEDERAL.
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Em 2008 a Suprema Corte julgou a ação e considerou a legalização do aborto no Distrito Federal válido e constitucional.
A decisão final dizia que ANTES DO NASCIMENTO NÃO HAVIA DIREITO À VIDA. Segundo as palavras textuais da sentença definitiva:
"A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NÃO CONTRARIA O DIREITO À VIDA, PORQUE ESTE SOMENTE É VALIDO PARA AS PESSOAS QUE JÁ NASCERAM.
A palavra pessoa não significa a mesma coisa que ser humano ou homem. Ser humano e homem significam uma realidade biológica que não são sujeitos de direito. Para que uma pessoa possa ser sujeito de direitos é necessária a "capacidade jurídica" e esta se adquire com o nascimento e se perde com a morte.
SUPOR QUE DESDE A CONCEPÇÃO O SER HUMANO POSSUI A QUALIDADE DE PESSOA SIGNIFICARIA SUPRIMIR OS EFEITOS JURÍDICOS DO NASCIMENTO, que é o fato que confere a qualidade de pessoa.
Consequentemente, os proponentes da ação de inconstitucionalidade baseiam-se EM UMA FALÁCIA, a saber, QUE O DIREITO À VIDA, reconhecido e protegido constitucional e legalmente, TEM COMO DESTINATÁRIO A TODO SER HUMANO.
O NASCITURO NÃO É TITULAR DO DIREITO À VIDA, o que é evidente quando se considera o caso de que as sanções penais para o infanticídio e o homicídio são maiores do que para o aborto.
O artigo primeiro da CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DO NASCITURO, APESAR DE ESTABELECER A NECESSIDADE DA PROTEÇÃO DA CRIANÇA "TANTO ANTES COMO DEPOIS DO NASCIMENTO", EM NENHUM MOMENTO AFIRMA QUE O NASCITURO É UMA CRIANÇA, pois, conforme o mesmo artigo primeiro, "entende-se por criança todo ser humano menor de dezoito anos de idade". Ora, considerando que a idade começa a contar-se a partir do nascimento, É CLARO QUE SE ESTÁ-SE UTILIZANDO UM CONCEITO DE SER HUMANO QUE SOMENTE ABARCA OS QUE JÁ NASCERAM".
[Veja a página 79-81 do documento da sentença definitiva:
http://ss1.webkreator.com.mx/4_2/000/000/01f/c72/ENGROSECOSSxcdO-146-07.pdf]
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3. ENTRE 2008 E 2011, 18 ESTADOS DO MEXICO RECONHECERAM O DIREITO À VIDA DESDE A CONCEPÇÃO.
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Como reação à decisão da Suprema Corte, entre 2008 e 2011, 18 dos 31 estados mexicanos, seguindo a posição majoritária de suas cidadãos, emendaram suas próprias constituições para reconhecer o direito à vida desde a concepção.
Estes estados basearam-se no fato de que em 2008 a Suprema Corte havia decidido que, já que segundo a Constituição Mexicana não reconhecia qualquer direito à vida para o nascituro, a decisão de legislar ou não sobre o aborto cabia, tanto em um sentido quanto em outro, era atribuição soberana dos legisladores locais.
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4. ENTRE OS DIAS 26 E 30 DE SETEMBRO DE 2011, A SUPREMA CORTE DO MÉXICO ESTARÁ DECLARANDO INVÁLIDAS AS CONSTITUIÇÕES DOS ESTADOS QUE RECONHECEM O DIREITO À VIDA ANTES DO NASCIMENTO.
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Mas os grupos a favor do aborto entraram com ações de inconstitucionalidade, pedindo à Suprema Corte que declarasse que as novas constituições estaduais eram incompatíveis com a Constituição do México.
A Suprema Corte inverteu o raciocínio e afirmou, desta vez, que já que a Constituição Mexicana não prevê o direito à vida antes do nascimento, os Estados não possuiam a soberania de introduzir o direito à vida indo contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres os quais, estes sim, são reconhecidos pela constituição.
No dia 13 de setembro o Ministro Relator José Fernando Franco González Salas publicou seu projeto de sentença no qual dizia que se a Constituição Mexicana não reconhece a personalidade jurídica senão depois do nascimento e, portanto, se não havia direito à vida para os nascituros, os estados mexicanos não poderiam legislar em sentido contrário vulnerando a dignidade e os direitos fundamentais das mulheres, estes sim, reconhecidos pela Constituição. Portanto, segundo o Ministro Relator, as constituições estaduais que reconhecem o direito à vida desde a concepção deveriam ser declaradas inválidas.
SE OITO MINISTROS DOS 11 MINISTROS VOTAREM A FAVOR DO PROJETO, O ABORTO ESTARÁ PRATICAMENTE LEGALIZADO ATÉ O MOMENTO DO PARTO, UMA VEZ QUE NÃO HAVERÁ MAIS DIREITO À VIDA QUE POSSA SER DEFENDIDO SENÃO APÓS O NASCIMENTO.
O fato de que o direito à vida não esteja claro na Constituição dos países modernos não se deve à vontade do constituinte de não querer proteger tais direitos, nem à inexistência de tais direitos, mas à imperfeição histórica da própria Constituição, cujos legisladores não previram o surgimento da moderna pressão internacional das grandes fundações norte americanas que se desencadearia principalmente a partir de 1990 para impor a legalização do aborto ao mundo moderno, e que jamais teriam imaginado que a tese do direito à vida apenas após o nascimento fosse transformada pela própria ONU em uma de suas bandeiras para um novo Direito Internacional.
O direito moderno, ao contrário, prevê princípios de interpretação pelos quais os juízes não são obrigados a reconhecer que não existe um direito simplesmente porque, pela própria imperfeição histórica dos textos legislativos, tais direitos não estão mencionados com a mesma clareza que outros. O simples princípio da razoabilidade e da progressividade do direito pode muito bem ser aplicado por qualquer juiz a partir do momento em que ele reconhece que uma sua sentença interpretativa de textos pouco claros irá implicar na instituição do direito de matar qualquer ser humano até o momento do parto.
Leia as palavras do voto do Ministro Relator segundo estão no próprio texto assinado pelo Ministro José Fernando Franco:
"A Constituição Política dos Estados Unidos Mexicanos não estabelece que os não nascidos sejam pessoas, indivíduos ou sujeitos jurídicos ou normativos e só os reconhece como bens juridicamente protegidos, por mais que os qualifiquem como pertencentes à espécie humana.
A Constituição só reconhece direitos fundamentais para as pessoas jurídicas, isto é, para os indivíduos que já nasceram e, portanto, se o âmbito pessoal de validez das normas constitucionais se refere aos já nascidos, já não pode entender-se referido à vida pré-natal.
A própria Norma Suprema também faz referência ao nascimento, especialmente no artigo 30, o preceito que estabelece os supostos em que se deve considerar que uma pessoa tem nacionalidade mexicana. A norma indica que o fato gerador desse status é, precisamente, o nascimento; não a fecundação ou concepção. A qualidade de "mexicano", de acordo com a própria Constituição Geral, implica determinadas conseqüências jurídicas, direitos e obrigações, que só são aplicáveis aos sujeitos nascidos, porque os não nascidos ainda não têm esse caráter.
Por outro lado, a postura segundo a qual é-se sujeito de direito a partir do nascimento é reforçada quando consideramos o conteúdo do artigo 7 da Convenção sobre os direitos do criança, da qual o México é parte. A Convenção afirma que
"A CRIANÇA SERÁ REGISTRADA IMEDIATAMENTE DEPOIS DE SEU NASCIMENTO E TERÁ DIREITO, DESDE O SEU NASCIMENTO, A UM NOME, A UMA NACIONALIDADE E, NA MEDIDA DO POSSÍVEL, A CONHECER SEUS PAIS E A SER CUIDADO POR ELES".
O artigo reforça a noção de que o status de "pessoa", para efeitos jurídicos, contrai-se do momento do nascimento, pois é a partir de então que a criança tem direito a ser inscrita em um registro, a um nome, a adquirir uma nacionalidade e a conhecer seus pais e ser cuidado por eles. É a partir do nascimento que adquire esse caráter um "menino" ou "menina" para todos os efeitos legais, com as exceções que estabelece a legislação civil, mesmo as quais estão, em todo caso, sujeitas à condição necessária e absoluta do nascimento para sua eficácia.
Em conclusão, a partir de uma interpretação da Constituição ou dos tratados internacionais não se pode concluir que o produto da concepção ou fecundação, INDEPENDENTEMENTE DA ETAPA GESTACIONAL EM QUE SE ENCONTRE, deva-se considerar como pessoa jurídica ou indivíduo, para efeitos de ser sujeito dos direitos constitucionais ou de ter capacidade jurídica.
Além disso, deve dizer-se que ESTE TRIBUNAL CONSTITUCIONAL JÁ SE PRONUNCIOU NO SENTIDO DE QUE O DIREITO À VIDA NÃO É ABSOLUTO, e assim, em qualquer caso, o bem constitucionalmente protegido relativo à vida pré-natal não poderia ter uma prevalência absoluta e ilimitada em relação com outros bens e direitos constitucionalmente protegidos, ao qualificar como pessoa humana em sentido normativo ao produto da concepção em etapa pré-natal, em detrimento dos direitos das pessoas nascidas. Portanto, se as normas gerais impugnadas, inclusive quando pretenderem proteger a vida pré-natal, violarem a dignidade e os direitos fundamentais das mulheres, em especial das que não desejam procriar, então essa condição seria suficiente para não ser válidas constitucionalmente".
http://www.scjn.gob.mx/2010/difusion/Documents/ProyectosdeResolucion/AI-11-09-BajaCalifornia.pdf
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5. O JULGAMENTO ESTÁ SENDO TRANSMITIDO AO VIVO PARA TODO O MUNDO.
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A Suprema Corte do México está transmitindo este julgamento em tempo real para todo o mundo. Ele pode ser acompanhado através do link, e deve durar desde o dia 26 de setembro até o dia 30 de setembro de 2011:
http://209.59.178.192/transmisionenvivo/video.html
Até segunda feira, dia 26 de setembro, à tarde, somente haviam votado dois ministros, um deles a favor da vida.
Veja o noticiário dos periódicos mexicanos:
http://www.eluniversal.com.mx/nacion/188906.html
http://www.vanguardia.com.mx/prohibirabortovacontraelestadolaicoscjn-1096900.html
http://www.ansa.it/ansalatina/notizie/rubriche/amlat/20110926174935321792.html
http://www.milenio.com/cdb/doc/impreso/9025282
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6. TELEFONES, MAILS E FAXES DOS MINISTROS
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mbluna@mail.scjn.gob.mx; oscgv@mail.scjn.gob.mx;
AZalvidarL@mail.scjn.gob.mx; JMPardoR@mail.scjn.gob.mx;
JBassH@mail.scjn.gob.mx; JRamonCD@mail.scjn.gob.mx;
lmaguilarm@mail.scjn.gob.mx; savallsh@mail.scjn.gob.mx;
saguirrea@mail.scjn.gob.mx; SCJN_presidencia@mail.scjn.gob.mx;
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MINISTRA MARGARITA BEATRIZ LUNA RAMOS
00 21 52 55 4113 1004 / 00 21 52 55 4113 2386
Correo Electrónico: mbluna@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4113 1090
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MINISTRA OLGA MARIA DEL CARMEN SANCHEZ CORDERO DAVILA
00 21 52 55 4113 1002 / 00 21 52 55 4113 2402
Correo Electrónico: oscgv@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4195 5121
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MINISTRO ARTURO ZALDIVAR LELO DE LARREA
00 21 52 55 4113 2407
Correo Electrónico: AZalvidarL@mail.scjn.gob.mx
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MINISTRO GUILLERMO I. ORTIZ MAYAGOITIA
00 21 52 55 4113 2403 / 00 21 52 55 4113 1103
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MINISTRO JORGE MARIO PARDO REBOLLEDO
00 21 52 55 4195 5174
Correo Electrónico: JMPardoR@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4195 5133
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LIC. JOSE FERNANDO FRANCO GONZALEZ SALAS
00 21 52 55 4113 1091
Correo Electrónico: JBassH@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4195 5187
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MINISTRO JOSE RAMON COSSIO DIAZ
00 21 52 55 4113 1006 / 00 21 52 55 4113 1638
Correo Electrónico: JRamonCD@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4113 1642
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MINISTRO LUIS MARIA AGUILAR MORALES
00 21 52 55 4113 2332 / 00 21 52 55 4113 2409
Correo Electrónico: lmaguilarm@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4113 4195 5131
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MINISTRO SERGIO ARMANDO VALLS HERNANDEZ
00 21 52 55 4113 1099 / 00 21 52 55 4113 6099
Correo Electrónico: savallsh@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4113 1219
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MINISTRO SERGIO SALVADOR AGUIRRE ANGUIANO
00 21 52 55 4113 1005 / 00 21 52 55 4113 2405
Correo Electrónico: saguirrea@mail.scjn.gob.mx
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MINISTRO JUAN N. SILVA MEZA
MINISTRO PRESIDENTE
00 21 52 55 4113 1303/ 00 21 52 55 4113 1304
Correo Electrónico: SCJN_presidencia@mail.scjn.gob.mx
Fax: 00 21 52 55 4195 0913