DESCE DAÍ ZAQUEU, DESCE DEPRESSA !
No Evangelho se encontram algumas passagens interessantes envolvendo os “publicanos” ou coletores de impostos (espécie de auditores fiscais da época).
Certa feita, passando, Jesus avistou Mateus sentado na coletoria e o chamou, “Segue-me”, ao que foi correspondido pelo publicano. Em outro momento, indagado sobre a questão do dever de pagar ou não impostos ao império romano, Cristo provocou, tomando uma moedinha: “De quem é esta imagem e inscrição?”. Responderam-lhe que era de César, do que concluiu o mestre: “Então, daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”.
Já em outra passagem, pergunta semelhante pretendia colocar o nazareno na parede: afinal, ele como mestre de Israel pagava ou não tributo a Roma? Pedro, seu discípulo, de pronto respondeu que sim. Levando a questão a Jesus, a providência foi imediata. O discípulo fiel foi ao mar e trouxe-lhe um peixe de cuja boca Jesus tirou uma moedinha (simples moedinha), suficiente para quitar a obrigação tributária de ambos.
Resta ainda uma outra passagem, inusitada como as demais, mas que particularmente merece ser lembrada nestes dias marcados por reviravoltas na conjuntura internacional.
A cena era mais ou menos assim: passando Jesus por Jericó, cercado pela multidão, Zaqueu, chefe dos publicanos, homem rico e de “baixa estatura”, querendo ver o mestre sem consegui-lo por causa do alvoroço, corre à frente da comitiva e sobe numa árvore com o intuito de vê-lo passar. Sua surpresa não foi maior que a gratidão: simplesmente Cristo, olhando para cima, chamou-o, “Zaqueu, desce depressa, porque hoje devo me hospedar em sua casa”.
Claro que Zaqueu desceu depressa e hospedou Jesus com alegria. Depois lhe confidenciou suas intenções de dá aos pobres a metade dos seus bens (boa idéia: distribuir metade da arrecadação tributária com os pobres e não repassá-la aos rentistas e banqueiros) e de restituir o quádruplo àqueles a quem tivesse prejudicado.
"O que é que cabe a César e o que é que cabe a Deus” nestes dias em que se avizinha, parece, uma grave crise mundial sem precedentes?
Com a Grécia quebrada, agora é a vez da Itália (a velha Roma na lona). O Brasil, eleito como paraíso temporário dos fluxos de capitais transnacionais, vai continuar remunerando muito bem aos donos do capital até quando? Qual o limite para o repasse violento de boa parte do que é arrecadado para o financiamento (refinanciamento, aumento,...) da dívida pública?
Zaqueu se comprometeu com a distribuição de metade de suas posses com os pobres. O governo socialista do PT (preparado pelo governo “social-democrata” do PSDB) vai dividir de fato o bolo com os pobres? Quando?
O publicano correspondeu ao apelo de Cristo. A recompensa não poderia ser maior: “Hoje, a salvação entrou nesta casa”, disse-lhe Jesus. Quem sabe, talvez com bom senso e vontade política de discutir as questões com seriedade (sem as peias ideológicas que geralmente travam o debate), se possa dizer o mesmo “o diálogo e o compromisso com a verdade entraram neste país”.
Miguel Brito
Miguel Brito

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